A dor piorou após a cirurgia ou os analgésicos estão a acabar: quem contactar primeiro?
Antes de sair do hospital após a cirurgia, peça à equipa cirúrgica ou de tratamento da dor que deixe por escrito a dor esperada, como usar os analgésicos, quem contactar se surgir algum problema e onde procurar assistência local como alternativa. Se a dor mudar de forma súbita e significativa ou continuar a piorar, peça a um médico que avalie a causa; não se limite a aumentar a medicação por conta própria. Se, após tomar um medicamento, a respiração ficar lenta, for difícil acordar a pessoa ou surgir dificuldade respiratória grave, ligue imediatamente para o serviço de emergência local.
Pontos essenciais
- Saiba quais os medicamentos a tomar em horários fixos e quais a usar conforme necessário, bem como as doses, os intervalos, os limites máximos e quem contactar em caso de mal-estar; não aumente, reduza nem combine medicamentos por conta própria.
- Registe onde sente dor, quando começou, como é, como tem evoluído e que atividades afeta. Informe o médico se tiver febre, alterações na ferida ou outros sintomas.
- Se surgir dor no peito, dificuldade respiratória grave, desmaio ou dificuldade em acordar a pessoa, procure assistência de emergência imediatamente, sem esperar por uma resposta à distância.
Peça à equipa um plano individual de controlo da dor por escrito
Peça ao médico ou farmacêutico que confirme, um a um, o nome dos medicamentos, os componentes, a dosagem de cada apresentação, a dose a tomar, a via de administração, o intervalo entre doses, a duração do tratamento e o plano para a suspensão. Para os medicamentos usados conforme necessário, pergunte também em que situações os deve usar, quanto tempo deve esperar para avaliar o efeito, quando não deve tomar outra dose e quem deve contactar. Informe ainda a equipa sobre outros medicamentos sujeitos a receita médica, medicamentos para constipações, medicamentos para dormir e suplementos, para evitar componentes repetidos em produtos diferentes ou interações prejudiciais.
Converse com a equipa sobre se a dor impede respirar fundo, tossir, dormir, caminhar ou receber os cuidados necessários, e sobre os objetivos adequados à fase atual da recuperação. Peça à equipa que explique qual a dor esperada e quais as alterações que exigem nova avaliação. Anote os contactos a usar durante o dia, à noite e quando não conseguir contactar a equipa.
Se usar uma bomba de analgesia controlada pelo paciente (PCA) durante o internamento, peça ao enfermeiro que explique como a utilizar e como funcionam os alarmes; familiares ou amigos não devem carregar no botão pelo paciente. Se o paciente estiver demasiado sonolento ou for difícil acordá-lo, avise imediatamente os profissionais da enfermaria; não carregue no botão para administrar medicação por ele.
Como comunicar alterações na dor
Explique onde sente dor, quando começou, se é contínua ou intermitente, o que mudou em relação à dor anterior e se afeta a respiração, a alimentação ou os movimentos. Indique os medicamentos que usou recentemente, a que horas e com que efeito, e se teve febre, inchaço, saída de líquido pela ferida ou aparecimento de dormência ou fraqueza.
Contacte prontamente a equipa cirúrgica ou de tratamento da dor, de acordo com o seu plano individual. Se não conseguir contactá-la ou se a dor piorar rapidamente, procure avaliação num serviço de saúde local sem demora. Em caso de dor súbita no peito, dificuldade respiratória grave, desmaio, alteração do estado de consciência ou outra alteração crítica, ligue imediatamente para o serviço de emergência local. Se a ferida abrir muito, houver tecidos expostos ou uma hemorragia abundante, procure também ajuda imediata, sem esperar por uma resposta online.
Quando os medicamentos estão a acabar ou surgem efeitos adversos
Antes de os medicamentos acabarem, contacte a equipa que os receitou e um médico ou farmacêutico no destino. Informe o nome do medicamento, a dosagem da apresentação, a quantidade restante, a hora da próxima toma e o local onde se encontra, para confirmar a receita, o fornecimento e a monitorização necessária. Para transportar medicamentos entre países, confirme separadamente as regras junto das autoridades competentes do local de partida, do destino e dos locais de trânsito, bem como da transportadora. Não presuma que uma receita é automaticamente válida noutra região.
Se tiver náuseas, obstipação, tonturas ou outro mal-estar, peça à equipa que avalie como proceder; não acrescente outros medicamentos por conta própria nem altere subitamente a medicação de uso prolongado. Sobretudo após usar analgésicos opioides, uma respiração lenta, superficial ou difícil, ou dificuldade em acordar a pessoa, são sinais de emergência: ligue imediatamente para o serviço de emergência. Se a equipa tiver fornecido naloxona e ensinado a utilizá-la, administre-a conforme as instruções; mesmo depois da administração, continua a ser necessária assistência de emergência.
Perguntas frequentes
Se a dor piorar de repente, posso tomar mais um comprimido primeiro?
Não aumente a dose por conta própria para além do que consta da sua prescrição individual. Contacte a equipa responsável e explique a alteração. Se não conseguir contactá-la a tempo ou se a situação piorar rapidamente, procure avaliação local; em situações críticas, procure assistência de emergência imediatamente.
O que fazer se, mesmo após tomar o analgésico, continuar sem conseguir tossir ou caminhar?
Informe o médico sobre a localização da dor, o efeito do medicamento e as atividades afetadas, para que a equipa reavalie a causa e o plano de tratamento.
Um familiar pode carregar no botão da PCA por um paciente que está a dormir?
Não carregue no botão pelo paciente. Se estiver tão sonolento que não consiga responder normalmente, avise imediatamente o enfermeiro; uma respiração anormal ou dificuldade em acordá-lo é uma emergência.
Posso tomar juntos dois analgésicos com nomes diferentes?
Peça primeiro ao médico ou farmacêutico que confirme os princípios ativos, as doses e os intervalos. Não combine medicamentos por conta própria.
O que fazer se os medicamentos estiverem a acabar e o médico local ainda não tiver assumido os cuidados?
Contacte imediatamente a equipa que receitou os medicamentos e um serviço de saúde local para confirmar uma receita de transição ou outra solução. Não espere pelo dia em que os medicamentos acabam nem os substitua por conta própria.
O que fazer se tiver obstipação ou náuseas após tomar a medicação?
Informe a equipa de tratamento e pergunte que medidas pode tomar e quando é necessária uma avaliação. Se tiver vómitos persistentes, não conseguir beber água ou o seu estado piorar, procure assistência médica local sem demora.
O que fazer se, ao regressar ao meu país, a farmácia não tiver o medicamento com o mesmo nome comercial?
Leve a embalagem original, o nome genérico, a dosagem da apresentação e o registo da medicação ao médico ou farmacêutico local, para que confirme se é possível substituir o medicamento e como dar continuidade ao tratamento.
Fontes
- FDA dos Estados Unidos: utilização segura de analgésicos opioides: sinais de emergência relacionados com depressão respiratória e sonolência excessiva.
- Hospitais da Universidade de Cambridge, Reino Unido: analgesia controlada pelo paciente: o botão da PCA deve ser acionado pelo próprio paciente; os equipamentos e procedimentos específicos de cada hospital devem ser confirmados separadamente.
- FDA dos Estados Unidos: naloxona e opioides: medidas de emergência em caso de suspeita de sobredosagem.
- CDC dos Estados Unidos: viajar com medicamentos sujeitos a restrições: restrições ao transporte de medicamentos em diferentes países. Data de consulta: 2026-11-06.